15 de Fevereiro de 2011

A energia solar fotovoltaica foi apresentada durante anos como opção desfavorável por conta de seu alto custo, de sua baixa densidade energética e da aleatoriedade do recurso energético primário. Mas, o que essa escolha representaria em comparação a outra fonte energética, como por exemplo, a energia nuclear? As duas fontes em questão são consideradas tanto de baixa emissão de gás de efeito estufa para a matriz energética brasileira como potencialmente, estratégicas para o país. Esses motivos tornam interessante avaliá-las, dado que a relação entre energia e desenvolvimento implica no dimensionamento de questões econômicas, ambientais e sociais.

Durante a história, o setor de energia elétrica tem-se centrado na geração da eletricidade abundante e barata com a assistência dos reguladores e dos políticos que subsidiam todas as formas de energia para proteger os consumidores dos custos reais da extração, geração, distribuição e uso. E os aspectos ambientais e sociais, que fazem parte do sistema atual, não participam desses custos.

E, ainda que o custo e o preço das fontes energéticas sejam influenciados pelos avanços tecnológicos que promovem aumento na eficiência da conversão energética e melhorias nos métodos de produção industriais, o investimento necessário não é o fator delimitante para a escolha de uma tecnologia, mas o estimulo para se alcançar a meta final: o lucro.

É possível, portanto, observar uma decisão míope no planejamento energético. Isso porque sempre se buscou uma tecnologia com alto fator de capacidade e que apresentasse baixo custo. Contudo, em um primeiro momento, tem-se que, mesmo com a inserção de tecnologias intensas energeticamente, não se conseguiu atender a toda população. E, mesmo que a procura seja por grandes quantidades de energia, a tecnologia solar fotovoltaica também pode contribuir na matriz energética, aumentando a potência instalada de sua central ou a quantidade de módulos descentralizados, em conjunto com medidas de eficiência energética.

Em um segundo momento, o custo inicial da energia nuclear para o país não foi e continua não sendo um obstáculo para sua escolha. Além disso, com a inserção das externalidades em um futuro próximo, será mais óbvio enxergar que, a longo prazo, as fontes renováveis estão ficando cada vez mais baratas, visto que a economia, assim como a sociedade, será influenciada pelos impactos causados no meio ambiente.

A decisão, portanto, não deve ser por uma tecnologia mais barata ou cara, mas, sim, por uma fonte que possa contribuir de forma estratégica e eficiente e em prol da sociedade, da economia e da preservação do meio ambiente. Avaliar aspectos como geração de emprego e medidas que preservem o meio ambiente, vantagens e desvantagens das fontes energéticas, custos, potencialidades e realizar uma análise de ciclo de vida, são variáveis que contribuem para a tomada de decisão e incentivam o desenvolvimento sustentável do país. No mais, qual o preço do modelo de desenvolvimento atual?

O alto custo da energia solar fotovoltaica está inserido em um contexto que pode ser desmistificado. Primeiro, porque existem perspectivas positivas para a inserção dessa tecnologia no país, sob alguns aspectos, principalmente paridade tarifária, cenários internacionais, estratégia nacional e incentivo a subsídios. Em segundo lugar, o incentivo pela tecnologia solar fotovoltaica, além de ser de interesse econômico, também o é nas esferas social e ambiental. Desse modo, se a energia nuclear pode participar da matriz energética, a tecnologia solar fotovoltaica também deveria, vistos o desenvolvimento e o cenário de crescimento que essa fonte tem apresentado durante os últimos anos. Além disso, experiências realizadas por outros países, como, por exemplo, na Alemanha, apresentaram resultados positivos com a apropriação dessa fonte energética.

Algumas questões que delimitam a escolha por uma tecnologia não devem ser somente a atribuição de seu preço ou a quantidade de energia entregue à rede, mas, sim – porque mais importante –, a realização de um dimensionamento a longo prazo que consiga atender todas as esferas, quais sejam, econômica, ambiental e social, além dos aspectos que não são mensuráveis que se encontram inseridos, e que são de extrema importância para um novo modelo de desenvolvimento, no que diz respeito: aos resíduos produzidos e à forma de gerenciá-los; a sua dimensão e quem os atinge; à geração de empregos; aos recursos naturais, à pesquisa e ao desenvolvimento, entre tanto outros.

A longo prazo, um planejamento energético deve estar atento a todos os aspectos, mensuráveis ou não, presentes em uma fonte energética, e ao risco que se deseja correr por esse desenvolvimento, para que seja possível assim atender às múltiplas necessidades de um país e de seus cidadãos.

(Por Mariana Pedrosa Gonzalez - Gestora Ambiental e Mestre em Energia pelo Programa de Pós Graduação em Energia na Universidade Federal do ABC)

fonte:investimentosenoticias

publicado por adm às 22:32

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