08 de Julho de 2013

De Washington a Nova Iorque foram 18 horas e 23 minutos no ar, um voo demorado. Numa das zonas aéreas mais movimentadas do mundo, o avião experimental Solar Impulse teve de descolar na cidade de Washington antes dos outros voos e aterrou em Nova Iorque depois do tráfego aéreo amainar. Mas, mesmo com contratempos – houve um rasgão de 2,5 metros de comprimento no tecido que cobre a parte de baixo da asa esquerda – a missão cumpriu-se e pela primeira vez um avião que só funciona a energia solar percorreu os Estados Unidos de costa a costa.

O Solar Impulse foi desenhado pela dupla suíça André Borschberg e Bertrand Piccard. É um avião experimental que viaja de dia e de noite com a energia do Sol. Tem uma envergadura de 63,4 metros, o equivalente ao do Airbus A340, mas pesa apenas 1600 quilos, o Airbus pesa 370 toneladas. Pode voar em média a 70 quilómetros por hora e chega a uma altitude máxima de 8.500 metros.

Por cima das suas asas e dos seus estabilizadores estão 11.628 células solares que captam a energia solar que depois é acumulada em baterias de lítio que pesam 400 quilos. Desta forma, há energia para manter à noite os quatro propulsores que fazem o avião funcionar.  

A aventura começou em São Francisco a 3 de Maio em direcção ao Arizona e passou depois por Dallas, St. Louis, parou em Cincinatti na etapa que terminava em Washington e agora chegou, por fim, a Nova Iorque, aterrando no aeroporto JFK. A última etapa teve início às 4h56 locais de sábado (9h56 em Lisboa) e terminou às 23h15 de sábado (4h45 de domingo, em Lisboa).

Para a viagem estava programada uma passagem pela Estátua da Liberdade, mas devido ao rasgão na asa André Borschberg foi obrigado a aterrar três horas mais cedo, embora o voo nunca tenha estado em perigo. “Foi um enorme sucesso em termos da utilização da energia renovável”, explicou o engenheiro. “A única coisa que falhou foi um bocado de tecido”, acrescentou, citado pela AP.

O avião só leva um piloto. André Borschberg e Bertrand Piccard, que é médico, revezaram-se a pilotar o aparelho a cada etapa. “Os voos de costa a costa foram sempre marcos míticos cheios de desafios para os pioneiros da aviação”, explicou por sua vez Piccard. “Durante esta viagem, tivemos que encontrar soluções para muitas situações que não previmos, que nos obrigaram a desenvolver novas competências e estratégias”, explicou o aventureiro, acrescentando que foram obrigados a levar a novos limites a utilização de tecnologias limpas e das energias renováveis.

Antes desta aventura, a dupla já tinha voado com o primeiro protótipo doSolar Impulse em viagens na Europa entre 2009 e 2011 e numa viagem entre a Espanha e Marrocos em 2012. O objectivo de todas estas missões é a promoção e a adopção de tecnologias sustentáveis que utilizem energias limpas. O secretário de Estado da Energia dos Estados Unidos, Ernest Moniz, tinha felicitado a dupla quando o avião chegou à cidade de Washington. “Acredito que em 10 anos vamos ver os frutos de todas estas tecnologias a mudar o mundo”, disse, citado pela BBC News.

Os desafios não terminaram, em 2015 a dupla quer fazer uma volta ao mundo em várias etapas com um novo avião maior. Durante esses voos, os pilotos vão estar no avião durante quatro ou cinco dias. O que irão comer, onde vão dormir e como vão se manter despertos são questões que terão de ser estudadas.

fonte:http://www.publico.pt/t

publicado por adm às 20:13

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